Calorosas Saudações aos 110 Anos de “Sons de Carrilhões”

Artigo escrito por José Leal e gentilmente cedido para o site.

O Brasil é realmente um país essencialmente musical que tem sempre Sol rindo Dó(u)rado, Ré vigorando em Si e em Mi(m), onde todo mundo vai Lá cantando Fá(s)cinado.

Por Fá-Lá-r nisso, 2022 é um ano de júbilo para a história da música popular brasileira e seus notórios expoentes. Indiscutivelmente, entre estes expoentes um dos mais brilhantes foi e continua sendo João Teixeira Guimarães. Nascido em 2 de novembro de 1883 no sertão pernambucano de Bebedouro de Jatobá, onde viveu até o ano de 1895. Naquele Município, o menino de 8 anos João, aprendeu a dar seus primeiros acordes no violão com violeiros, entre eles Laurindo Punga e também trabalhava como ajudante em uma oficina de carro de boi. Em 1895 João iniciou sua itinerante trajetória do Sertão ao Litoral, indo para Recife, onde continuou o aprendizado do violão com violeiros Cirino da Guajurema e Mané do Riachão nos entornos de feiras e mercados. Em suas vivências na capital pernambucana, João tornou-se ferreiro de profissão, violonista e compositor por vocação. No ano de 1904 migrou para o Rio de Janeiro, onde ao saberem que ele havia nascido no sertão e por ser tão dedicado à cultura de seu povo, sobre a qual João falava constantemente, passaram a chamá-lo de João Pernambuco. Entre tantos méritos, cabe ainda ressaltar que João Pernambuco foi o primeiro a fazer grande difusão da música nordestina, bem como o primeiro músico a compor para o violão solo no Brasil. O primoroso violonista e compositor João Pernambuco, é criador de centenas de obras com fecunda consistência, dentre as quais destaca-se “Sons de Carrilhões”. Composição inspirada nos ruídos emitidos pelos carrilhões de carro de boi, que João Pernambuco ouviu constantemente em sua infância no sertão de Jatobá. Música que expressa belos desenhos melódicos e figuras rítmicas que se movem por caminhos harmônicos com sua fascinante modernidade. Obra composta em 1912, que este ano comemoramos os 110 anos de sua existência, que foi gravada em 5 continentes em 20 países sendo eles: Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Canadá, Colombia, Espanha, Escócia, Estados Undidos, França, Grecia, Japão, Inglaterra, Irlanda, Itália, Polônia, Russia, Suiça, antiga Techecoslovaquia e Uruguai. No Brasil “Sons de Carrilhões” foi gravada 80 vezes por diversos musicistas e continua recebendo novos arranjos e gravações. Agora, integrando às celebrações, “Sons de Carrilhões” recebeu letra deste autor e está incluída no repertório do CD “Raízes e Frutos da Arte de João Perrnambuco” em tributo à arte musical de João Pernambuco, que está sendo produzido pelo Coletivo Contratempo, integrado pelos violonistas, compositores e arranjadores Rodrigo Procknov, Felipe Ramos, Thiago Barone e Piero Quirino que contará com participações de convidados especiais.

Ainda neste ano de júbilo à música “Sons de Carrilhões”, festeja-se a fundação do Institituto de Arte Popular João Pernambuco em Recife. Trata-se de uma meritória homenagem de reconhecimento àquele que foi e continua sendo o Poeta do Violão, que contribuiu substancialmente para a história do violão e da música popular brasileira. Entre os projetos que estão sendo realizados pelo Instituto de Arte Popular João Pernambuco, vem aí a edição do livro “Raízes e Frutos da Arte de João Pernambuco” e o livro infantojuvenil ilustrado com desenhos a carvão do artísta Uendell Rocha. O fato inventivo e inusitado deste projeto é que o carvão foi o produto que João Pernambuco sempre utilizou nas forjas para temperar o ferro e aço em sua profissão de ferreiro.

Agora realiza-se uma criativa inversão onde o carvão é um bem utilizado para ilustrar a arte do livro “Lá Vem Joãozinho Com Seu Violão Pelos Caminhos”, baseado na infância e juventude de João Pernambuco. Estas duas obras citadas são de autoria de José Leal, Secretário Geral do Instituto de Arte Popular João Pernambuco, organização que segue consciente e convicta de que a vida sem ARTE sufoca. Calorosas saudações aos 110 anos de “Sons de Carrilhões” e ao magistral violonista e compositor João Pernambuco.

José Leal*

*Jornalista, escritor, poeta e produtor musical. Entre outras obras é autor do clássico de nossa musicografia “João Pernambuco – Arte de um Povo” lançado pela FUNARTE em 1983.

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